A renúncia dos bens terrenos
13.10.2009Por: Raul Monteiro
Palavras do Evangelho (Marcos 10, 17-30)
Jesus caminhava e alguém se ajoelhou diante dele e perguntou: – Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna? Jesus disse: – Só Deus é bom e mais ninguém. Tu conheces os mandamentos: (…) Ele respondeu: Tenho observado isso desde a minha juventude. Jesus disse-lhe: – Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me! Ouvindo isso, ficou abatido e triste, porque era muito rico. Jesus então disse aos discípulos: – Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus! (…) É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus! Eles ficaram espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: – Então, quem pode ser salvo? Jesus respondeu: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida (…) e, no mundo futuro, a vida eterna.
Reflexão
A Igreja celebra o 28º Domingo do Tempo Comum e o Evangelho inicia-se com alguém diante de Jesus perguntando o que fazer para ganhar a vida eterna? Jesus lhe responde dizendo que deveria vender tudo o que tinha e dar aos pobres, pois somente dessa forma ele teria um tesouro no céu. Mas ele, apesar de ser um praticante piedoso da Lei, ficou abatido e triste, por ser muito rico e bastante apegado ao tesouro que tinha na terra. Diante disso, fez a sua opção por uma vida “regular” que não exigisse partilha, nem despojamento e foi embora, colocando os bens terrenos acima do bem maior, que era ganhar a vida eterna.
Jesus põe em cheque o ensinamento comum sobre a riqueza e a pobreza e o que a sua mensagem significa, lutando contra a incompreensão dos discípulos, por terem a mentalidade formada pela ideologia dominante.
O Evangelho nos mostra que pensamos estar livres das amarras do mundo, porém quando nos é pedido para realmente abrir mão delas, vemos o quanto estamos apegados às coisas terrenas e distantes das coisas celestes.
E essa realidade não se aplica apenas para os ricos, mas para todos nós. Quantas vezes nos vemos apegados ao nosso cargo em uma empresa, ao nosso carro, à televisão LCD que compramos, ao “note book” que carregamos para todo lugar, ao namorado(a), às roupas de marca e a tantas outras coisas que acabam por desequilibrar o nosso espírito e o nosso dia-a-dia.
Como a riqueza era considerada sinal da bênção de Deus e a pobreza como sinal de maldição quem não se salvaria era o pobre, pois o rico era abençoado.
Reforçando seu ensinamento Jesus diz: – É mais fácil passar um camelo pelo buraco duma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus, deixando os discípulos espantados, se perguntando: – Então quem pode ser salvo?
Jesus lhes responde: – Quem segue na prática da solidariedade e da partilha, deixando casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos e riquezas; este receberá cem vezes mais agora, durante esta vida e no mundo futuro, a vida eterna
Essa proposta de Jesus desafia as ideologias que vêem a riqueza como sinal da benção de Deus. A proposta dele não é a riqueza, mas a partilha, não e a acumulação, mas a solidariedade e a justiça, para que todos possam ter o suficiente.
O Evangelho deixa claro que quem viver esta proposta vai sofrer, pois o mundo não vai aceitá-la. A salvação depende da gratuidade e misericórdia de Deus e diante de tal mistério só nos cabe buscá-la, pois o Reino de Deus é uma experiência já existente entre nós, embora não em plenitude.
Fonte: MODERNAS REFLEXÕES
